sábado, 14 de novembro de 2009

A diversidade linguística apresentada no português do Brasil

As línguas humanas estão em constante processo de mudança, mas antes de ocorrer uma mudança, há um período de variação lingüística, com duas ou mais variantes coexistindo no sistema.
Para Dante Lucchesi, a visão unitária de uma única língua que recobre as diferenças lingüísticas, tanto no plano diastrático das diferenças sociais, quanto no plano diatópico das diferenças regionais, fundamenta-se, para além dos influxos políticos, na perspectiva teórica que focaliza o funcionamento abstrato da língua circunscrita à sua função comunicativa, ou é tributária da teoria da competência lingüística que reflete nos mecanismos mentais do funcionamento da linguagem, abstraídas as condições concretas de uso da língua.

Veremos a seguir trechos de três entrevistas feitas com diferentes tipos de pessoas, na qual essa diferença foi de escolaridade, idade, aspecto geográfico, ajudando assim a entender um pouco mais sobre o que falamos acima:
1ª entrevista:
Entrevistador: Quais os pontos que o senhor acha, que a empresa precisa melhorar?
Geraldo: Não, pra mim, pra eu tá bão. Uma vez que eu gostando.
Entrevistador: O senhor gosta da profissão que exerce?
Geraldo: Gosto, por que é a profissão, que a gente na roça é destocar, e aqui a gete carrega e descarrega caminhão, é pra mim tá bão.

2ª entrevista:
Entrevistador: Você se identifica com a função exercida?
Aldenora Cristina: Sim, assim, é no caso sou professora e a questão de você é, ser professor,afinal de contas, você procura por isso né, então fiz um curso de graduação após o curso de graduação já tinha né em mente fazer um mestrado que era justamente para ter a possibilidade de exercer a função de professor isso já tava em mente e depois futuramente o doutorado pra enfim ter maiores condições de exercer a profissão de forma mais.
3ª entrevista:
Entrevistador: Você acha que a empresa lhe oferece campos de desenvolvimento pessoal?
Glecio: Sim, quando ela ajuda o profissional a qualifica-se, ela ajuda ele a crescer e ter um maior desenvolvimento dentro da sua área.
Entrevistador: Quais foram os cursos já ministrados na empresa?
Glecio: Vários cursos, aqui agente mesmo já teve seminários, que essa empresa mesmo, como eu posso falar, administrou. Volta para quando foi implantado Simples Nacional no Brasil.Com nossos colegas passam por cursos profssionalizantes.

Contudo, os textos possuem gramática natural, cujas estruturas e regras todos os falantes (inclusive os analfabetos) conhecem e utilizam no dia a dia. Possui uma variação sociocultural, geográfica, por possuir sotaques nordestino e estilística por depender de diferente grau de formalidade.
Nos textos acima, foi usado uma língua oral, isto é, foi escrito de forma como se fala, pertencendo ao mundo da oralidade, não o dá escrita.
Para se comunicar, os falantes não precisaram ter necessariamente domínio nas regras gramaticais escolares, eles utilizaram uma gramática natural. Deste modo, foi observado vários fatores que interferem na maneira individual que o falante tem de se expressar, por exemplo: idade, grupo social, grau de escolaridade, outra região, etc. Ocorrendo assim, uma variação linguística, possuindo maneiras particulares de cada região do país.
Destaca-se também, que os textos estão linguisticamente corretos, porque podemos compreender o que eles estão expressando, mas está gramaticamente incorretos, pois não observa os padrões definidos pela gramática normativa.


A norma-padrão é referência pela qual os falantes identificam a língua, atribuindo a ela um falso caráter homogêneo. Isso acarreta no tratamento da variação e da mudança linguística como desvios, erros, não "língua".
Farraco reflete sobre essa questão: "A mudança lingüística é certamente um dos pontos mais complicados a ser enfrentado em qualquer debate sobre a língua, em especial sobre a norma-padrão, porque o sentimento geral dos falantes é de que a língua identificada, em certo imaginário social, com o padrão é estática: e, desse modo, eles tendem a confundir a mudança com uma idéia de decadência, degeneração, desintegração da língua." (Revista Língua Portuguesa- O Abismo, n° 19,2003)

1 Comentário:

Bianca disse...

MUITO BEM!!!!! PARABÉNS! BOAS RELAÇÕES TEXTUAIS!

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