Filme: Narradores de Javé
“Aspectos importantes do filme associados à texto escrito x texto oral”:
Podemos observar que a história dos grupos sociais que não têm o hábito da escrita, da documentação institucional e oficializante, sobrevive de boca em boca, nos casos contados, nas tradições e nos rituais traçados pela palavra dita e pela linguagem corporal, ou seja, eles possuem informação e conhecimento, mas eles estão fixados em outra instância, volátil, que é a da oralidade.
Em um vilarejo como Javé, por exemplo, a oralidade não é simplesmente uma tradição, mas um problema que vem da base do início, devido à precária situação sócio-econômica dos moradores, maioria deles analfabetos. Ao receber a notícia da inundação, os moradores se viram desesperados, mas por mais que eles conhecessem e soubessem revelar o tesouro de Javé à sua maneira, acabaram reféns da ausência de uma versão oficial documentada e viram a memória do Vale e a própria identidade se afundando em meio às águas da barragem. O povo desse vilarejo não possuía objetos concretos como documentos de memória, que na nossa cultura podem ser considerados fatores essenciais para apoiar a manutenção do passado e garantir a permanência da existência humana no presente e no futuro.
Enfim, o filme retrata duas formas de se contar uma história, a forma escrita e a forma oral e também as dificuldades que existem em se transformar a forma oral em escrita quando se tem várias versões para uma mesma história. Destaca também a memória das pessoas para guardar relatos tão antigos com a riqueza de detalhes com que foi proferido.
